- enquanto calçava as meias, notou que talvez fosse a hora de sumir; afinal, ela era tão boa nisso. mais uma de muitas belas fugas majestosas de uma covarde, pois é assim que ela sentia-se.
a outra notaria? sentiria falta? viria atrás? se viesse, é o que queria.. mas ela já duvidava disso, já não sabia mais o que pensar, o que esperar, SE deveria esperar..
talvez o estrago houvesse sido tão grande que não tivesse lugar para uma volta.. ou melhor dizendo, uma continuidade, já que não podia existir fim para algo que nem havia começado.
sentiu suas mãos tremerem, então as esfregou.. estavam transpiradas. não adiantava lavar, ela as sentia pegajosas da mesma forma, não importava quantas vezes as lavasse. pegou sua mochila e seguiu o caminho de todos os dias; "ao menos, o céu está azul", pensou - e pelo segundo dia consecutivo - o que era novidade nos últimos tempos, embora fosse primavera. mas havia uma amarga ironia na forma que o tempo lhe sorria, parecia zombava de sua cara, que lhe esfregava aquilo que ela já se cansava de saber..
covarde, em cada mínima linha branca. covarde, no sol que a queimava. covarde, no vento que rebatia-lhe o rosto. covarde, no imenso azul..
covarde, covarde, COVARDE!
então, com queimação no estômago e a boca seca, se deu conta que talvez tivesse enxergado mal e não fosse essa a hora da fuga, mas - quem sabe - a hora de correr atrás.
09 fevereiro 2010
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